Descrição
Sobre o livro
Um livro que nasce do gesto de revisitar o arquivo fotográfico da própria família para reconstruir, a partir deles, uma narrativa sobre corpo, identidade e afeto. Assim é Talvez o Nosso Amor Morra Num Sonho, de Caia Marvento Ramalho. A fotógrafa, conhecida pelos editoriais de moda e retratos sensíveis, usa seu olhar atento para se debruçar em negativos, contatos, fitas VHS e cassetes guardados no laboratório do pai e, a partir disso, criar uma espécie de quebra-cabeças pessoal, entre aquilo que não viveu, mas é capaz de fabular, e aquilo que passa diretamente pela sua pele.
Porém, este não é apenas um álbum de família, é um exercício de se tecer a partir de tudo aquilo que veio antes para projetar-se neste presente e em diversos futuros possíveis. Caia, então, escolhe escrever textos que acompanham as imagens, entre descrições, conversas, relatos autobiográficos, poemas e cartas – depois traduzidos para o inglês nesta edição bilíngue.
A viagem que desperta tal interesse é uma em 1991, três anos antes do nascimento da autora, quando seus pais encontraram a juventude entre mar e rio. Primeiro, uma inspiração estética, depois, uma percepção de si diante da idealização do outro. “A investigação dessas imagens era uma maneira de fazer parte daquela juventude tão atraente registrada pelos meus pais”, escreve ela. O inalcançável, de repente, dá contorno aos pensamentos e vivências mais profundos.
Ao longo dos nove capítulos seguintes, os leitores adentram, no ritmo de Caia, nessas temporadas da vida, ritmadas pela presença da água. Verão, outono, inverno, primavera, escola, férias, apresentações da escola, brincadeiras com as irmãs, arquibancada das aulas de educação física. Em movimentos contínuos de abrir e fechar, seus textos brincam com o próprio curso da natureza, que se expande e se recolhe de acordo com a temperatura lá fora. “Percebo meu corpo também como tempo”, diz.
Sem fugir das rusgas e das dores, a autora ainda propõe uma revisitação madura de vivências, escolhas e relações. No capítulo dedicado ao pai, uma carta desloca os ideais de masculino e feminino, convidando tanto o remetente quanto quem lê a repensar os conceitos de vulnerabilidade e acolhimento. Mais a frente, ela abre o coração para o desconhecido e se entrega para um amor tateando o terreno, ao mesmo tempo com cautela e impulso. “Vejo romance em nós, mas acho que é um romance juvenil. Como em um filme, onde alguém descobre o amor pela primeira vez.”
Talvez o Nosso Amor Morra Num Sonho é um livro com textura, cor e trilha sonora. De Gal Costa a Cássia Eller, é possível sentir a atmosfera despretensiosa e nostálgica de um sonho que também se vive acordada. Pela possibilidade de existir pelas próprias mãos e lentes, sem mais se camuflar.
— Texto de Paula Jacob
“Percebo meu corpo também como tempo.”
— Caia Marvento Ramalho
Lançamento
26 de setembro de 2026, sábado, das 17h às 21h
Galeria Vermelho · R. Minas Gerais, 350 – Higienópolis, São Paulo
DJ set de IDLIBRA · Evento aberto ao público
Sobre a autora
Caia Marvento Ramalho é fotógrafa e visa construir, por meio da fotografia e da escrita, novos imaginários para corpos como o seu. Formada em Moda e pós-graduada em Fotografia, começou sua carreira no jornalismo de moda, em 2013. Em 2017, fotografou seu primeiro editorial de moda para a Harper’s Bazaar e a partir disso assinou capas e editoriais para Vogue, Numéro, Glamour, L’Officiel, GQ, Marie Claire, Claudia e Billboard. Tornou-se também a primeira mulher trans a fotografar uma capa para qualquer edição da Vogue no mundo.
Ficha técnica
- Título: Talvez o nosso amor morra num sonho
- Autora: Caia Marvento Ramalho
- Textos e fotografias: Caia Marvento Ramalho
- Texto de contracapa: Alix Breda
- Edição: Caia Marvento Ramalho
- Coedição: Fabiana Bruno, Eder Chiodetto e Vitor Casemiro
- Tradução (inglês): Caia Marvento Ramalho
- Revisão: Ana Godoy
- Projeto gráfico, design e capa: Rafael Simões
- Editora: Fotô Editorial, São Paulo, 2026
- Formato: 348 p. : il. (fots.) ; 12 × 17 cm
- Idiomas: Texto em português e inglês
- Tiragem: 1ª edição, 1.000 exemplares
- ISBN: 978-65-979910-2-0
- Papéis: Pólen Bold, Avena e Colorplus
- Tipografia: Tiffin Latin
- Impressão: Ipsis Gráfica







