O Retorno
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Não sei ao certo o que retorna quando olho através da lente, mas há sempre algo que se move entre o visível e o pressentido. A mesma indefinição que nos habita é o que não separa a neblina das montanhas: aquilo que vemos, mas não compreendemos, aquilo que sentimos, mas não conseguimos dizer.
As imagens nascem desse cruzamento. Não são provas do real, mas sim gestos de suspensão: um instante em que o mundo se aquieta, o ruído é interrompido e o silêncio emerge por trás de tudo. Como sugere Carolina Junqueira em seu texto, criar uma imagem é abrir um espaço entre camadas de tempo, onde algo possa surgir de novo. Tais imagens repetem-se como versos que ecoam — não para reforçar o passado, mas sim para convocar aquilo que ainda vive de outra maneira: feito a neve que se deita nas montanhas, repousa como quem dorme o mais profundo sono e, entretanto, já traz o prenúncio do despertar da primavera.
E talvez o retorno seja justamente isso: não o que volta da mesma forma, mas o que retorna transformado — como um eco, como uma sombra projetada por outra luz. Quando esse retorno acontece, não é para repetir o que foi, mas sim para nos lembrar de que tudo está sempre em movimento. A imagem, então, não é só registro. É convocação. É escuta. Um gesto para manter viva a presença do que resiste ao desaparecimento.





























