Como em um jogo de fantasmagorias noturnas nas páginas do livro, vemos vultos, rostos não revelados, lugares não desvendados, corpos desejosos. Nada é nomeado, explicado ou sintetizado. Somos convidados a tatear a complexidade desses tempos e dos tempos fotográficos sem tudo saber de antemão. Aludindo aos duplos atos de revelação, Sobre Vaga-lumes entrelaça a experiência da ditadura pelas margens da história e pela estética do fotográfico. Seguimos os sinais dessas pequenas luzes, esses corpos vaga-lumes, e com elas construímos rastros, criamos nossos próprios refúgios, acolhendo outros pensamentos, afetos e imaginários sobre resistências políticas e poéticas. “Não foi na noite que os vaga-lumes desapareceram, com efeito. Quando a noite é mais profunda, somos capazes de captar o mínimo claro, e é a própria expiração da luz que nos é ainda mais visível em seu rastro, ainda que tênue” , nos convida a pensar Georges Didi-Huberman.